Chefe da Uber no Brasil vai comandar operação de bikes nos EUA




Os dias de Guilherme Telles à frente da Uber no Brasil estão contados. O diretor-geral do aplicativo de transporte vai assumir a direção de operações da Jump Bikes, empresa de compartilhamento de bicicletas recém-adquirida pela companhia nos Estados Unidos. Telles está no comando da Uber brasileira desde o início das atividades, em 2014.
Telles carrega na bagagem o feito de ter transformado o Brasil em segundo maior mercado da Uber no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No começo, a empresa contava apenas com três funcionários. Hoje, são mais de 1.000, além dos 500.000 motoristas parceiros que prestam serviços para 20 milhões de usuários. “Gui ajudou a fazer do Brasil um dos negócios com crescimento mais rápido na Uber”, afirma George Gordon, gerente regional da Uber para América Latina.
Na Jump Bikes, a missão de Telles será ampliar o negócio de compartilhamento de bikes, além da integração com outros meios de transporte, como carros particulares e patinetes elétricas.
Veja abaixo entrevista de Telles a VEJA:
Qual a diferença entre a Uber que viu nascer no Brasil e a de agora?
No começo, éramos três pessoas em uma sala de coworking. Hoje, somos mais de 1.000 pessoas trabalhando continuamente para que os mais de 500.000 motoristas parceiros e os mais 20 milhões de usuários tenham uma boa experiência utilizando o app da Uber.
Quais foram os ganhos e no que falta avançar?
Foram diversas vitórias, como a possibilidade de pessoas em todas as capitais do Brasil conseguirem um carro em menos de cinco minutos, por um preço acessível. Isso dá oportunidade para que milhares de pessoas ganhem dinheiro dirigindo. É um mercado fantástico, que serve a todos e questiona a efetividade de um carro particular.
Qual será o maior desafio de seu sucessor?
A Uber agora caminha para se tornar uma plataforma de mobilidade. Além de mobilidade urbana compartilhada (uberX, uberPOOL, etc), queremos oferecer outros modos para que as pessoas possam se movimentar pela cidade, como bicicletas elétricas e integração com o transporte público. Esse será o maior desafio do meu sucessor – felizmente, ainda poderei ajudá-lo, já que estarei coordenando as operações globais da Jump em Nova York.
A Uber está tranquila com a legislação atual ou o serviço ainda corre algum risco no país?
Como sempre falamos, a legislação sempre vem depois da inovação – e, em nosso caso, isso foi observado por todos os brasileiros. Estamos no caminho certo.
Como vê as críticas de que o transporte por aplicativo fez crescer o trânsito nos bairros?
Mesmo nas cidades onde a Uber já faz parte do dia a dia, como São Paulo, os carros que realizam viagens pelo aplicativo representam uma parcela pequena do total de veículos nas ruas. De acordo com uma pesquisa do Ibope, apenas 2% dos paulistanos usam com frequência apps de mobilidade compartilhada, contra 47% que utilizam ônibus e 22% que usam o carro particular – é exatamente aí que acreditamos que está nosso crescimento. Além disso, estamos investindo maciçamente em bikes elétricas e em scooters elétricos, pela Lime.
Os aplicativos se tornaram uma saída para os desempregados, mas existem muitas críticas relacionadas a cobranças excessivas de taxas e falta de amparo trabalhista. Não dá para melhorar essa relação?
Trabalhamos constantemente neste ponto e já temos diversas novidades, como a possibilidade de permitir aos usuários dar gorjetas pelo app (que são 100% passadas para os parceiros) e também a nova taxa flexível de serviço, que faz com que o parceiro tenha total simplicidade para entender e trabalhar seu lucro na plataforma.
Como está se sentindo em relação à mudança de posto?
A sensação é que a missão de tornar a mobilidade urbana cada vez mais acessível continua, mas em um outro capítulo. Todos nós somos movidos a desafios, e acredito que ter a oportunidade de encarar um desafio desse tamanho é um enorme privilégio.

Fonte; Veja

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