Escutas mostram interesse do PCC em invadir a Rocinha, diz polícia




De acordo com investigações da Polícia Civil de São Paulo, o PCC (Primeiro Comando da Capital) planeja ampliar sua atuação no estado do Rio de Janeiro, hoje dominado majoritariamente pela facção rival Comando Vermelho.

Segundo escutas telefônicas as quais a polícia de São Paulo teve acesso, a prioridade da organização criminosa paulista é invadir a favela da Rocinha, considerada a maior comunidade do Rio de Janeiro, com quase 70 mil habitantes de acordo com o Censo Demográfico de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O interesse no Rio de Janeiro se deve a, pelo menos, dois fatores: mercado consumidor de drogas e domínio sobre o porto, um dos mais importantes do país, para expandir a exportação das substâncias ilícitas. Em São Paulo, a facção já teria influência sobre o porto de Santos, um dos maiores do território nacional.
A estratégia da facção no estado é buscar aliados para conquistar territórios. No entanto, um dos motivos que explicam a atual falta de capilaridade nas cidades fluminenses é que o Comando Vermelho teria uma “base social” mais eficiente do que a do PCC, ancorado em domínio territorial e de pontos de drogas.

As escutas detectaram conversas entre membros da facção criminosa paulista sobre formas de dominar regiões na Rocinha. Trechos como “vamos nos igualar a eles”, “se eles dão cesta básica, vamos dar também” indicariam planos para dominação baseados nas formas de atuação do Comando Vermelho. Até hoje, a facção aliada ao PCC no Rio de Janeiro é a ADA (Amigos de Amigos). Mas, existem indícios de possíveis rachas entre os grupos. 
Conflitos e intervenção
Um dos relatórios produzidos durante a Operação Echelon, obtidos pela reportagem do R7, revelou a influência do PCC nos conflitos da favela da Rocinha. "A aliança entre PCC e ADA culminou em explícito apoio ao criminoso Nem, em detrimento de Rogério 157", diz o documento.
A investigação cita ainda que em 17 de setembro do ano passado, o conflito entre grupos rivais se intensificou, fechou escolas, comércio, "levando o terror a 80 mil moradores da Rocinha e a todo o território brasileiro que acompanhava o desfecho da ação." O confronto resultou na intervenção das Forças Armadas.
"O que não se revelou, no entanto, é que essa veia aberta de degradação da segurança pública estava longe do Rio de Janeiro, mas a beira mar, em outro Estado, em Praias Paulistas (Kaique), na capital (Ponteiros) e no interior de São Paulo – Presídio Maurício Henrique Guimarães Pereira, de Presidente Venceslau-SP e presídios da região oeste", diz o documento sobre as lideranças regionais do PCC que dão ordens de São Paulo. 
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As investigações da Polícia Civil de São Paulo demonstram que a logística é, atualmente, uma das maiores preocupações dos líderes do PCC. Hoje, a facção tem particular interesse em alguns estados. Um dos relatórios produzidos após a Operação Echelon mostra que o Mato Grosso, o Paraná e os estados do Norte também estão na mira dos líderes. Disputas com facções rivais, como a Família do Norte (FDN) impedem a expansão dos negócios do PCC nessas regiões.

Fonte: R7

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