Porque não se deve vender o Estrela ao DAAE




Vereador Elias Chediek apresenta estudo sobre as discussões em torno do projeto de compra da área do clube

As discussões sobre a aquisição da área do Estrela Futebol Clube, na Vila Velosa, pelo Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE), pagando à Prefeitura o valor de R$ 6.815.000,00 provocaram diversas discussões na Câmara Municipal de Araraquara. O vereador Elias Chediek fez um estudo em torno da questão, com o objetivo de avaliar a realidade da proposta e demonstrar que não há justificativa para esta aquisição, a não ser a financeira, ou seja, a necessidade de obtenção de recursos por parte da Prefeitura. Porém, esta argumentação não consta das justificativas apresentadas pela Prefeitura, enquanto o DAAE tenta convencer sobre a necessidade de expansão de sua área, sem que, contudo, apresente sequer um projeto para isso.

O Estrela possui instalações esportivas como: duas piscinas de biribol, duas quadras de vôlei de areia, uma quadra poliesportiva, dois minicampos, canchas de bocha e malha, piscina recreativa e vestiários. Possui ainda, amplo salão de festas, onde está instalado o Centro de Convivência do Idoso, casa do caseiro e outras instalações. “Apesar de estar ao lado do DAAE seria um absurdo perdemos todas essas instalações”, afirma Chediek.

Chediek demonstra no estudo, que já apresentou no Plenário da Câmara, durante algumas Sessões Ordinárias, que o DAAE possui atualmente áreas ociosas que não são utilizadas. O vereador aponta que é possível aumentar em 67% a capacidade de atendimento do restaurante dos servidores, com pequenas adaptações nas instalações atuais. Mesmo sendo atualmente satisfatório, também haveria espaço para ampliação da área de atendimento à população. E se houvesse mesmo um projeto de expansão, não conhecido até então, ainda assim há uma área do DAAE, de cerca de 5 mil m² que foi cedida à antiga Companhia Troleibus, hoje extinta e com seu espaço subutilizado, que poderia ser devolvida.

Adutora de Anhumas

E mesmo que o DAAE alegue que a adutora do Rio Anhumas passe dentro da área do Estrela e precise ser protegida, Chediek lembra que, pelo menos, cinco quilômetros desta mesma adutora segue na direção leste, no sentido da Represa de Anhumas, localizada há quinze quilômetros de distância da estação de tratamento, para captar parte da água consumida na cidade, passando por debaixo de vários bairros da Vila Xavier.

Fazendo contraponto à proposta da Prefeitura, Chediek demonstra necessidades mais urgentes da autarquia, como os vultuosos investimentos que a Estação de Tratamento de Esgoto precisa, que hoje funciona em condições muito abaixo dos exigidos e até mesmo de sua real capacidade, para que volte a funcionar plenamente e atenda as finalidades para as quais foi construída. Outra necessidade é o desassoreamento da represa de captação de água, na região da Fazenda Três Irmãs. Hoje, a água “mais barata” para ser consumida na cidade está extremamente prejudicada, por conta da terra acumulada em seu leito. A Prefeitura vai investir “apenas” 563 mil reais, dos 6 milhões necessários para que o serviço fosse completamente realizado, segundo informações da própria autarquia. O lago tem 4,5 metros de profundidade, porém, com a falta de manutenção há pontos em que a lâmina d’água chega a 1,5 metro e continua diminuindo.

Reformas necessárias

Se não bastassem estas necessidades urgentes do DAAE, a estação de tratamento, a Fonte Luminosa, que dá nome à região, tem diversas instalações necessitando de manutenção, com ocorrência de perda de água tratada, vazamento nos reservatórios, rachaduras e falta de pintura nas paredes, piso solto e outros problemas. “Não parece razoável que todas essas necessidades de investimentos no DAAE possam ser abandonadas, deixadas de lado, por conta da compra do Estrela. Não estou convencido disso”, assegura o vereador Elias Chediek.

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