São Paulo determina que hospitais mantenham leitos para a covid-19

 



O secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou, nesta quinta-feira (19) que o governo assinará um decreto determinando a não desmobilização de qualquer leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e leitos de enfermaria voltados a pacientes com covid-19. Além disso, o secretário afirmou ainda que será determinada a não realização de cirurgias eletivas para garantir leitos a casos supeitos de covid-19.

"Redobramos a atenção e a cautela frente à instabilidade dos números. Mas não tivemos uma visão muito clara e embasada, por isso, decidimos não fazer a recalibragem do Plano São Paulo, determinar aos hospitais que não desmobilizem leitos destinados à pacientes com covid-19 e não marcando cirurgias eletivas", afirmou o secretário. 

Gorinchteyn afirmou ainda que as equipes de fiscalização de São Paulo perceberam que muitas aglomerações ocorrem fora dos estabelecimentos comerciais. "Com a chegada dos fiscais muitas aglomerações se dispersam. Além disso, temos que nos lembrar que as aglomerações ocorrem em festas dentro de casa, transmitindo o vírus para mais pessoas. Nesse momento, os dados não sustentam qualquer mudança no Plano São Paulo."

O secretário de saúde afirmou que, no momento, o governo de São Paulo descarta a adoção de medidas como o "lockdown" e a reativação de hospitais de campanhas, como os que foram montados no primeiro semestre do ano para atender pacientes com covid-19.

"Em relação a nossa dificuldade de compreender os números de uma forma tão clara é que na 45ª semana tivemos uma semana com feriado, que teve uma redução porque os órgãos fomentadores de dados não trabalham no domingo e na segunda. Porém, esses dados passaram a ter problemas na sua inserção. Quando eles poderiam ser disponibilizados, entre a 45 e 46 semanas, fomos surpreendidos com um problema técnico", explicou.

Segundo Gorinchteyn, houve um incremento nessa semana, porém, o governo do estado afirmou que não conseguiu compreender se foi decorrente dos dados represados ou se houve um aumento real. "Quando observamos o número de internações, eles tendem a uma elevação de 8% entre a 46ª e a 47ª semana em relação a 45ª", disse. 

"Já os dados sobre internações não sofrem infuência da plataforma do Ministério da Saúde. Dessa maneira, quando olhamos de forma setorizada para os hospitais públicos observamos um aumento entre 12% e 14%, na rede privada, 25%, principalmente nos hospitais que tinham leitos para pacientes de outros estados", afirmou o secretário. Segundo dados da Saúde, o estado tem, no momento, 1.191.290 casos de covid-19 e 41.074 óbitos.

O secretário executivo do Centro de Contingência do Covid-19, João Gabbardo, afirma que, na última semana, houve um "pequeno recrudescimento" na pademia. "Existem indícios de aumento no número de óbitos e casos. É difícil avaliarmos por conta dos dados. Mas, nenhuma região do estado seria reclassificada no Plano São Paulo para a faixa vermelha", afirmou.

As mudanças adotadas pelo governo, segundo Gabbardo, são a volta das avaliações de 14 em 14 dias e não de 28 em 28 e a não desmobilização de leitos destinados a pacientes com covid-19. "Tudo isso não resolve se as pessoas não se derem conta desse papel nesse processo. A maior possibilidade de transmissão, que nos preocupa, é o retorno da população jovens a bares, restaurantes e festas", disse. 

"Não seguir avançando com a retomada é uma grande medida restritiva. Estamos abaixo do limite de internações e mortes por covid-19. Houve uma variação para cima na curva, mas foi uma variação pequena", afirmou Patrícia Ellen, secretária do Desenvolvimento Econômico. "Não é o momento de festas, nem de celebrações em bares."

O médico José Medina, coordenador do Comitê do Centro de Contingência da Covid-19, afirmou que a campanha eleitoral em todo o país pode ter sido um fator que colaborou com a disseminação do vírus, que envolveu mais de 500 mil candidatos. 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, comentou a chegada das 120 mil doses da vacina CoronaVac, produzidas em parceria com o laboratório chinês, Sinovac. "As vacinas representam o início do processo que culminará com 46 milhões e podemos, com o apoio do Ministério da Saúde, chegar a 100 milhões em maio. O fato de ser a primeira em continente americano é um enorme avanço", afirmou. 


Fonte:R7