A "cirurgia de bumbum brasileiro" é conhecida aqui no Brasil como lipoescultura ou lipoenxertia glútea.
Segundo a cirurgiã plástica Tatiana Moura, da Clínica Tera, o procedimento consiste na retirada de gordura de outras áreas do corpo, como abdômen ou culote, e injetá-lo na área dos glúteos, de forma a moldá-los e deixá-los mais redondos e volumosos.
"É preciso ter muito cuidado ao realizar esses enxertos, porque não basta ter a gordura e quererinjetar 400 m de cada lado, por exemplo. Não é isso. Além de você ter uma pele que comporte essa demanda, a gordura transferida passará por um processo de integração na área receptora, que passará a nutrí-la até que esteja adaptada. Então, ela passará a ter novos vasos sanguíneos. Se não houver tecido suficiente para nutrir essa gordura, ela poderá ser reabsorvida, necrosar, infeccionar ou até trazer deformidades, nodulações e cistos", explica Larissa Sumodjo, cirurgiã plástica da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).
Além disso, Larissa alerta que a maior preocupação entre os cirurgiões é quando há o enxerto dentro do múculo dos glúteos (o procedimento pode injetar gordura junto à gordura do local ou de forma intramuscular), onde há a presença de importantes vasos sanguíneos.
Assim, é essencial que os profissionais estejam atentos às cânulas utilizadas, prestando atenção para que o enxerto de gordura não seja realizado em tais vasos, o que poderia levar à corrente sanguínea e causar problemas, como a embolia gordurosa, por levar essa partícula a órgãos como o coração ou pulmão.
Dessa forma, Larissa alega que, para evitar tal complicação, é recomendada que essa injeção seja feita de forma subcutânea, evitando o músculo.
Tatiana opina que o limite de cirurgias realizadas diariamente chega a ser surpreendente.
"Não é uma prática que temos no Brasil, porque só uma lipoaspiração do torso mais na área frontal, cotumam levar de três a quatro horas, sem contar o enxerto. Se eles fazem mais de duas cirurgias por dia, significa que há um número elevado de procedimentos, o que acabará interferindo na qualidade do procedimento", avalia.
Ambas as cirurgiãs afirmam que a prática de cirurgias simultâneas em mais de um paciente não deve ocorrer, justamente pela inviabilidade.
"Pode ocorrer de haver várias equipes fazendo o mesmo procedimento ou uma grande equipe de cirurgiões dividas em três salas, por exemplo. Mas em cada sala deve haver um cirurgião plástico habilitado e responsável por aquele paciente", ressalta Larissa, ao acrescentar que muitos hospitais aqui não permitem os procedimentos sem que haja mais de um cirurgião na sala para eventuais ausências do médico principal.
Ela completa que o profissional assistente pode ser somente outro médico cirurgião, que seja capacitado para realizar o procedimento, não sendo autorizada a realização por enfermeiros, por exemplo.
O procedimento do "bumbum brasileiro" ganhou mais notoriedade nos EUA nos últimos anos, o que provocou um aumento expressivo da procura e, consequentemente, da oferta.
A recomendação do uso de ultrassom nas cirurgias surge neste contexto, já que muitos profissionais médicos que não são cirurgiões oferecem a plástica.
Tatiana finaliza, lembrando que as práticas cirúrgicas no Brasil se diferem das dos Estados Unidos, onde são autorizados procedimentos, inclusive, em clínicas, além dos hospitais.
"Todo procedimento pode ter complicação. É claro que, se for utilizada a técnica mais adequada, num ambiente mais adequado, respeitando os limites de gosrdura lipoaspirada e o limite de lipoenxertia, sem exageros, podemos diminuir o risco nesses processos", encerra.
Fonte:R7