Ele fica contente quando passa e ouve as pessoas dizendo: “olha lá o menino barraqueiro do Noticiário, olha o menino que tenta ajudar todo mundo”. E fica feliz com o reconhecimento do povo que o apoia. Mas conta que já tentaram calar sua voz. Concorrentes tentaram comprar a página que criou, segundo ele, porque queria fazer reclamações e com raras exceções, algum jornal o atendia. Assim criou a sua própria página onde poderia publicar a sua indignação e os problemas que ocorressem na cidade. Cidade, aliás, que segundo ele, não é muito fácil de fazer amigos como nas outras em que morou. “Quando vim para Araraquara foi muito difícil e cheio de obstáculos”.
A página que criou de brincadeira, de repente, já havia ultrapassado em audiência alguns jornais on-line da cidade, tanto em curtidas quanto em compartilhamentos. Foi orientado por uma advogada a tirar o registro no Ministério do Trabalho. “Hoje levo como uma profissão e me considero jornalista. O que começou como uma brincadeira, levo muito a sério hoje”.
Frequentemente Sérgio sofre ataques nada agradáveis, acusado principalmente de sensacionalista , pois a grande ou quase todas as notícias dadas por ele são trágicas e sem filtro. E é impressionante, segundo ele, o quanto as pessoas buscam por esse tipo de informação.
Hoje o Noticiário virou parceiro de vários jornais, mas ainda incomoda. Se a página tem futuro, apesar da procura de anunciantes, ele não sabe. Para ele, cada dia é um dia. Seu objetivo é não ter objetivo, pois a página sofre ataques diários.
Mas no fundo, apesar de tudo, ele se sente de certa forma orgulhoso, pois diz que grandes jornalistas estão lendo a sua página, por que senão não estariam atacando.
Um pouco de Sérgio
Nascido no dia 27 de novembro de 1992, em Santa Barbara D’oeste, Sérgio de Caires Pinheiro Júnior é filho de Sérgio Caires Pinheiro e de Eliane Cristina Salvador de Caires Pinheiro. Tem como irmãos Nathalia e Thiago. Ele é o filho do meio. Leia-se ‘encrenca’ da casa.
Na cidade natal viveu até os 21 anos, na realidade em Americana, que é divisa. “Estudei em quatro escolas estaduais: João XXIII, Monsenhor Magi e Dilecta Cineviva Martinelli. Todas eram do Fundamental e Ensino Médio. Como não me adaptei em lugar nenhum, terminei na Heitor Penteado”, diz.
Já a Faculdade de Pedagogia começou na FAM, Faculdade de Americana, mas não se adaptou, indo para Unopar, depois para a Unines, em Santos onde fez história.
Assim é professor de história desde o ano passado, profissão essa que sempre o encantou desde criança, principalmente por conta de uma tia que era professora, a Tia Cristina. “Escolhi história, pois sempre gostei de coisas antigas, diferentes”.
Morou em Mococa, Piracicaba, Americana e Araraquara e várias vezes a família voltou para Santa Bárbara.
Sérgio conta que essas mudanças foram devido a profissão do pai que é vendedor de roupas femininas plus size.
A morte da avó foi um acontecimento que abalou muito a sua vida bem como a de toda sua família. Para amenizar um pouco a dor ele conta que acabou indo fazer serviços comunitários em um asilo para ver se encontrava em algum idoso um pouco daquela avó muito amada. Foram meses e meses frequentando o lugar que acabou por lhe trazer mais dor, assim para não ficar expondo seu coração machucado pela saudade acabou desistindo de ir.
Araraquara
Quando a família se mudou para Araraquara, Sérgio se revoltou. Não aceitava sair de seu círculo de amizades. As cidades que haviam morado até poderia ser, mas Araraquara? Em um primeiro momento não veio. O pai o instalou em um apartamento, onde passou a morar sozinho. Assim permaneceu durante um ano. Não sem dar trabalho, pois desacostumado a viver sozinho constantemente tinha crises que deixavam os pais de cabelo em pé, pois muitas vezes a mãe saia de Araraquara de madrugada para ir até ele que dizia que ia atentar contra a própria vida. Chegou a tomar até veneno de rato, mas, duro na queda, não morreu!
Quando ele conta essas histórias, rindo, leva a nossa reportagem a desconfiar de manipulação, mas ele mostra sem perceber, que é um riso de nervos, de quem procura se defender. Conta que tudo começou com a morte da avó, quando sua mãe ficou tão abalada que adoeceu. “Ela ficou durante uns quatro anos na cama em depressão profunda. Não levantava pra nada. Só tomava Coca Cola e fumava cigarros. Durante esse tempo eu me segurei, pois se me entregasse também ao sofrimento nem sei o que seria”.
Sérgio ressalta que não tem uma explicação para a depressão que o abateu depois da morte da avó. Só sabe que ela era uma pessoa que só de ficar perto era gostoso.
Descoberta
Mas ele também revela que tem depressão desde os 13 anos de idade quando se descobriu homossexual. Tornou-se até os 15 anos um garoto extremamente fechado. Foi até enviado para a UniCamp para ver se descobriam o que tinha, a razão de seu isolamento. Na cidade em que morava na época, Mococa, nunca tinham visto outro menino gay. “Para mim, aquilo era um anormalidade. Hoje me aceito super bem. A depressão que ainda tenho é por outros motivos”, diz acrescentando que da parte de seus pais nunca sentiu nenhuma condenação, só amorosa aceitação.
Professor
Sérgio, depois de formado começou a dar aulas na mesma escola em que havia se formado no Ensino Médio, na Heitor Penteado. Não foi fácil, pois os alunos o conheciam e ainda o viam como um aluno e não como professor. A Diretoria de Ensino acabou permitindo que deixasse aquela escola e fosse dar aulas em outra instituição, onde os alunos não o conheciam. Deu certo. Ai sim viu o que era um trabalho, uma profissão e começou a encarar. Sempre tendo uma postura um pouco diferente das dos outros professores, como ir dar aula de bermuda. “Isso não vai impedir o aluno de aprender”.
Evangélico. Seu maior sonho é ficar rico. Mas o que o faz levantar a cada manhã são seus pais, tê-los perto de si.
Tem um desejo também de mudar de cidade, pois aqui encontrou pessoas muito diferentes das que estava acostumado. Um dos fatos marcantes foi ter sido algemado pela polícia e, segundo ele, tratado como um bandido sem o ser. É uma história de um mal entendido que não tomou um bom rumo.
Ser professor para ele, é importante, pois está ajudando vidas. Mas a notícia de que havia tentado suicídio não foi boa para ele, pois a repercussão foi muito grande, mas ao mesmo tempo trouxe um grande conforto saber que os alunos estavam do seu lado e o apoiavam. Muitos descobriram seu telefone através da página do Noticiário e ligaram para ele. Muitos deles, carregados de problemas, ofereciam um ombro amigo, perguntavam se queria conversar. E quando teve que retornar para a sala de aula achou que seria alvo de recriminações, mas não, foi recebido com carinho de amigo que se preocupa em saber se o outro está bem. Isso para ele não teve preço e vai ficar para sempre gravado em seu coração como um valioso tesouro. Para quem pensa em ser rico já é um bom começo...
TEXTO E FOTO: JORNAL O IMPARCIAL.
A página que criou de brincadeira, de repente, já havia ultrapassado em audiência alguns jornais on-line da cidade, tanto em curtidas quanto em compartilhamentos. Foi orientado por uma advogada a tirar o registro no Ministério do Trabalho. “Hoje levo como uma profissão e me considero jornalista. O que começou como uma brincadeira, levo muito a sério hoje”.
Frequentemente Sérgio sofre ataques nada agradáveis, acusado principalmente de sensacionalista , pois a grande ou quase todas as notícias dadas por ele são trágicas e sem filtro. E é impressionante, segundo ele, o quanto as pessoas buscam por esse tipo de informação.
Hoje o Noticiário virou parceiro de vários jornais, mas ainda incomoda. Se a página tem futuro, apesar da procura de anunciantes, ele não sabe. Para ele, cada dia é um dia. Seu objetivo é não ter objetivo, pois a página sofre ataques diários.
Mas no fundo, apesar de tudo, ele se sente de certa forma orgulhoso, pois diz que grandes jornalistas estão lendo a sua página, por que senão não estariam atacando.
Nascido no dia 27 de novembro de 1992, em Santa Barbara D’oeste, Sérgio de Caires Pinheiro Júnior é filho de Sérgio Caires Pinheiro e de Eliane Cristina Salvador de Caires Pinheiro. Tem como irmãos Nathalia e Thiago. Ele é o filho do meio. Leia-se ‘encrenca’ da casa.
Na cidade natal viveu até os 21 anos, na realidade em Americana, que é divisa. “Estudei em quatro escolas estaduais: João XXIII, Monsenhor Magi e Dilecta Cineviva Martinelli. Todas eram do Fundamental e Ensino Médio. Como não me adaptei em lugar nenhum, terminei na Heitor Penteado”, diz.
Já a Faculdade de Pedagogia começou na FAM, Faculdade de Americana, mas não se adaptou, indo para Unopar, depois para a Unines, em Santos onde fez história.
Assim é professor de história desde o ano passado, profissão essa que sempre o encantou desde criança, principalmente por conta de uma tia que era professora, a Tia Cristina. “Escolhi história, pois sempre gostei de coisas antigas, diferentes”.
Morou em Mococa, Piracicaba, Americana e Araraquara e várias vezes a família voltou para Santa Bárbara.
Sérgio conta que essas mudanças foram devido a profissão do pai que é vendedor de roupas femininas plus size.
A morte da avó foi um acontecimento que abalou muito a sua vida bem como a de toda sua família. Para amenizar um pouco a dor ele conta que acabou indo fazer serviços comunitários em um asilo para ver se encontrava em algum idoso um pouco daquela avó muito amada. Foram meses e meses frequentando o lugar que acabou por lhe trazer mais dor, assim para não ficar expondo seu coração machucado pela saudade acabou desistindo de ir.
Quando a família se mudou para Araraquara, Sérgio se revoltou. Não aceitava sair de seu círculo de amizades. As cidades que haviam morado até poderia ser, mas Araraquara? Em um primeiro momento não veio. O pai o instalou em um apartamento, onde passou a morar sozinho. Assim permaneceu durante um ano. Não sem dar trabalho, pois desacostumado a viver sozinho constantemente tinha crises que deixavam os pais de cabelo em pé, pois muitas vezes a mãe saia de Araraquara de madrugada para ir até ele que dizia que ia atentar contra a própria vida. Chegou a tomar até veneno de rato, mas, duro na queda, não morreu!
Quando ele conta essas histórias, rindo, leva a nossa reportagem a desconfiar de manipulação, mas ele mostra sem perceber, que é um riso de nervos, de quem procura se defender. Conta que tudo começou com a morte da avó, quando sua mãe ficou tão abalada que adoeceu. “Ela ficou durante uns quatro anos na cama em depressão profunda. Não levantava pra nada. Só tomava Coca Cola e fumava cigarros. Durante esse tempo eu me segurei, pois se me entregasse também ao sofrimento nem sei o que seria”.
Sérgio ressalta que não tem uma explicação para a depressão que o abateu depois da morte da avó. Só sabe que ela era uma pessoa que só de ficar perto era gostoso.
Mas ele também revela que tem depressão desde os 13 anos de idade quando se descobriu homossexual. Tornou-se até os 15 anos um garoto extremamente fechado. Foi até enviado para a UniCamp para ver se descobriam o que tinha, a razão de seu isolamento. Na cidade em que morava na época, Mococa, nunca tinham visto outro menino gay. “Para mim, aquilo era um anormalidade. Hoje me aceito super bem. A depressão que ainda tenho é por outros motivos”, diz acrescentando que da parte de seus pais nunca sentiu nenhuma condenação, só amorosa aceitação.
Sérgio, depois de formado começou a dar aulas na mesma escola em que havia se formado no Ensino Médio, na Heitor Penteado. Não foi fácil, pois os alunos o conheciam e ainda o viam como um aluno e não como professor. A Diretoria de Ensino acabou permitindo que deixasse aquela escola e fosse dar aulas em outra instituição, onde os alunos não o conheciam. Deu certo. Ai sim viu o que era um trabalho, uma profissão e começou a encarar. Sempre tendo uma postura um pouco diferente das dos outros professores, como ir dar aula de bermuda. “Isso não vai impedir o aluno de aprender”.
Evangélico. Seu maior sonho é ficar rico. Mas o que o faz levantar a cada manhã são seus pais, tê-los perto de si.
Tem um desejo também de mudar de cidade, pois aqui encontrou pessoas muito diferentes das que estava acostumado. Um dos fatos marcantes foi ter sido algemado pela polícia e, segundo ele, tratado como um bandido sem o ser. É uma história de um mal entendido que não tomou um bom rumo.
Ser professor para ele, é importante, pois está ajudando vidas. Mas a notícia de que havia tentado suicídio não foi boa para ele, pois a repercussão foi muito grande, mas ao mesmo tempo trouxe um grande conforto saber que os alunos estavam do seu lado e o apoiavam. Muitos descobriram seu telefone através da página do Noticiário e ligaram para ele. Muitos deles, carregados de problemas, ofereciam um ombro amigo, perguntavam se queria conversar. E quando teve que retornar para a sala de aula achou que seria alvo de recriminações, mas não, foi recebido com carinho de amigo que se preocupa em saber se o outro está bem. Isso para ele não teve preço e vai ficar para sempre gravado em seu coração como um valioso tesouro. Para quem pensa em ser rico já é um bom começo...