Secretário de Estado dos EUA chega para encontro com Lula e evita pergunta sobre Gaza

 




O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse nesta quarta-feira (21) que esperava ansiosamente pela reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília. A autoridade norte-americana, que desembarcou na capital federal na noite da última terça-feira (20), evitou responder se iria tratar no encontro o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

Blinken chegou no Planalto por volta de 9h, acompanhado da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Elizabeth Frawley Bagley. Questionado sobre a expectativa para o encontro com Lula, disse que "esperava ansioso" por isso. Na sequência, foi perguntado se iria discutir com o presidente brasileiro o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, mas o secretário de Estado não respondeu. O assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, também participa da agenda.

A conversa vai ocorrer em meio à crise diplomática entre Brasil e Israel. O país, localizado no Oriente Médio, classificou Lula como 'persona non grata' pelas declarações em que comparou as ações de defesa israelense no conflito contra o grupo terrorista Hamas ao nazismo. Em reação, o presidente brasileiro chamou de volta o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, para consultas. Nas relações internacionais, o termo é usado para demonstrar descontentamento.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Mathew Miller, afirmou nesta terça (20) que os EUA discordam do comentário de Lula e que Blinken vai informar essa posição ao presidente brasileiro na reunião desta quarta (21). "Obviamente, nós discordamos desse comentário [de Lula]. Fomos bem claros em dizer que não acreditamos que um genocídio ocorreu em Gaza. Queremos ver o conflito terminar quanto antes. Queremos ver a assistência humanitária aumentar de forma sustentada para os civis inocentes de Gaza, mas não concordamos com aqueles comentários", disse.

Ainda na conversa, o secretário vai enfatizar o apoio norte-americano à presidência do Brasil no G20 e a parceria Brasil-EUA pelos direitos dos trabalhadores. Blinken vai manifestar também suporte à cooperação na transição para a energia limpa e às comemorações do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e os EUA, completados neste ano de 2024.

Depois de Brasília, Blinken vai visitar o Rio de Janeiro, onde vai participar da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20. Um dos objetivos é engajar líderes mundiais para "aumentar a paz e a estabilidade, promover a inclusão social, reduzir a desigualdade, acabar com a fome, combater a crise climática, promover a transição para a energia limpa e o desenvolvimento sustentável e tornar a governança global mais eficaz".

O secretário norte-americano segue depois para Buenos Aires. Na capital argentina, Blinken vai se encontrar com o presidente Javier Milei para discutir questões bilaterais e globais, incluindo crescimento econômico sustentável, direitos humanos, governança democrática, minerais críticos, fortalecimento de investimentos e comércio que beneficiam ambos os países.

Lula e Biden

Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden, respectivamente, lançaram uma parceria inédita para a promoção do trabalho digno. A iniciativa, lançada em Nova York, nos EUA, busca estimular empregos de qualidade, proteger trabalhadores que atuam nas plataformas digitais e promover o conhecimento sobre direitos trabalhistas.

Lula citou os principais aspectos da iniciativa brasileira e norte-americana. São eles:
• proteção dos direitos trabalhistas;
• promoção do trabalho digno nos investimentos público e privado;
• combate à discriminação no ambiente de trabalho;
• abordagem centrada nos trabalhadores na transição para energia limpa; e
• uso da tecnologia em prol do trabalho decente.

O trabalho digno ou decente faz parte dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), definidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2015. Entre as ações propostas estão alcançar o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos, inclusive para jovens e pessoas com deficiência, e remuneração igual para trabalhos de mesmo valor, até 2030.

Fonte:R7